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Cliente antigo que sumiu

Pós-venda: o que fazer depois que o cliente paga

Cliente que paga e some não volta sozinho. Veja o pós-venda em três passos que faz quem já te contratou voltar, sem você caçar cliente novo.

Pedro Moura Avatar

Pedro Moura

Fundador da Ekoa

13 de agosto de 20269 minutos de leitura
Bancada de madeira vista de cima com uma agenda com data futura circulada em laranja, um celular com mensagem de acompanhamento, uma xícara de café e ferramentas de trabalho, representando o pós-venda de uma empresa de serviço

Sexta, fim da tarde. Você termina o serviço, o cliente passa o Pix, aperta sua mão e diz "ficou ótimo, qualquer coisa eu te chamo". Você guarda o celular, junta as ferramentas e vai embora. Serviço fechado, dia bom.

Só que "qualquer coisa eu te chamo" quase nunca acontece. Uns meses depois, o problema volta e o cliente precisa do serviço de novo. E ele chama outro. O seu trabalho até que foi bom. Você é que desapareceu depois, e na hora que ele precisou, quem veio primeiro na cabeça dele foi outro.

O serviço não acaba quando o cliente paga. Essa é a parte que quase todo dono de empresa de serviço trata errado.

Por que o cliente que pagou some?

Ele não some porque ficou bravo. Some porque a vida anda. Você fez um bom trabalho, ele ficou satisfeito, e no dia seguinte a cabeça dele já estava em outra coisa. Você foi ótimo e esquecível ao mesmo tempo, do mesmo jeito que você não lembra o nome daquele açougue onde comprou uma carne boa uma vez, três anos atrás.

Satisfação não é memória. O cliente pode ter adorado seu serviço e mesmo assim não lembrar de você seis meses depois. Quem tem que lembrar do cliente é você, não o contrário. E é aí que fica o dinheiro parado.

O que é pós-venda para empresa de serviço

Pós-venda é tudo que você faz depois que o cliente paga: o obrigado no dia seguinte, o acompanhamento pra confirmar que ficou bom, e o lembrete na hora certa de voltar. Bem feito, não parece venda. Parece cuidado: você aparece pra saber se ficou tudo certo e pra avisar quando chega a hora de olhar de novo.

Parece detalhe. É o que separa quem atende o mesmo cliente uma vez de quem atende ele três vezes por ano e ainda ganha as indicações que ele faz pra vizinhança.

A conta de quem volta contra quem some

Vender pra quem já te conhece é mais barato e mais fácil do que caçar desconhecido. Conquistar cliente novo custa de cinco a vinte e cinco vezes mais do que manter um que já comprou de você (HBR/Amy Gallo, 2014, ver Fontes & Estudos). E não é só o custo: subir em 5% a quantidade de clientes que voltam pode aumentar o lucro de 25% a 95%, segundo a pesquisa clássica da consultoria Bain, feita por Fred Reichheld (Bain/Reichheld, 2000, ver Fontes & Estudos).

Traduzindo pro seu dia: cada cliente que você deixa esfriar é um serviço que você vai ter que comprar de novo lá na frente, gastando anúncio, tempo e desconto pra fechar um estranho. Sendo que o cliente antigo fecharia com um "oi" na hora certa.

Conquistar um cliente novo custa até 25 vezes mais do que fazer o antigo voltar. E o antigo já confia em você.

O que fazer depois que o cliente paga, em três passos

Pós-venda não é bicho de sete cabeças. São três contatos, cada um na sua hora.

Diagrama em círculo mostrando o ciclo do pós-venda de uma empresa de serviço em quatro etapas que se repetem: serviço feito, obrigado em 24 horas, lembrete na hora certa e cliente volta, fechando o ciclo de volta ao serviço

QuandoO que mandarPra quê
24 a 48h depoisUm "obrigado, ficou tudo certo aí?"Mostra cuidado e abre porta pro cliente responder (e reclamar cedo, se precisar)
No meio do caminhoUma dica rápida de como cuidar do que você fezVocê aparece sendo útil, não vendendo
Na hora de voltarUm lembrete: "faz X meses, quer que eu dê uma olhada?"Chega antes de o problema virar urgência, e antes do concorrente

Repara que nenhum dos três é "e aí, fechou negócio?". Os três dão algo ao cliente antes de pedir qualquer coisa dele. A venda vem sozinha, de tanto você aparecer na hora certa.

Você faz pós-venda no verde, no amarelo ou no vermelho?

Pega o histórico do seu WhatsApp e olha os últimos dez clientes que pagaram. Marca a cor honesta.

🔴 Vermelho: recebeu o pagamento, encerrou a conversa, nunca mais falou. Se o cliente voltar, foi sorte dele lembrar, não mérito seu.

🟡 Amarelo: você até manda mensagem de vez em quando, mas quando lembra e pra quem lembra. Não tem hora certa nem lista. Uns clientes recebem carinho, a maioria some.

🟢 Verde: todo cliente que paga já sai com um próximo contato definido. Você sabe quem chamar e quando, e o cliente ouve de você antes de precisar procurar.

Quase todo dono de serviço está no vermelho ou no amarelo. Não por preguiça: porque fazer isso na mão, cliente por cliente, é impossível de manter quando você passa o dia com a mão no serviço.

De quanto em quanto tempo chamar o cliente de volta?

Depende do que você faz. A regra é simples: o lembrete chega um pouco antes de o cliente precisar de novo, não depois. Alguns exemplos:

Tipo de serviçoQuando chamar de volta
Higienização de estofado, limpeza pesadaA cada 6 a 12 meses
Dedetização, controle de pragasA cada 6 meses, ou pela garantia
Ar-condicionado (limpeza e manutenção)A cada 6 meses, antes do calor e antes do frio
Jardinagem, piscinaMensal ou quinzenal, recorrência fixa
Elétrica, encanamento (avulso)Revisão anual, e você vira "o meu eletricista de confiança"

Não precisa ser exato. Precisa existir. Um lembrete "tá na época" na hora certa vale mais que dez anúncios pra quem nunca te viu.

O jeito velho e o jeito novo de tratar quem já te pagou

Jeito velho: o serviço acaba quando o cliente paga. Você agradece, guarda o número numa lista que nunca mais abre, e torce pra ele lembrar de você quando precisar. Na prática, ele não lembra, e você acha que o mercado está fraco.

Jeito novo: o serviço acaba quando o cliente volta. Cada pessoa que paga entra numa fila de acompanhamento, com hora marcada pro obrigado e pro lembrete. Você não torce pela memória do cliente. Você cuida da sua.

A diferença entre os dois não é esforço. É sistema. O jeito velho depende de você lembrar de cada cliente no meio da correria. O jeito novo lembra por você.

O furo que estraga o melhor pós-venda

Tem um problema: pós-venda na mão morre na primeira semana cheia. Você até anota "ligar pro cliente da terça em janeiro", mas em janeiro você está embaixo de outra pia. E mesmo quando o lembrete sai e o cliente responde "ah, que bom que você chamou, pode vir sim", se você está no meio de um serviço e só vê a mensagem à noite, o cliente que estava quente já esfriou. Empresa que responde no primeiro minuto tem muito mais chance de fechar do que quem responde meia hora depois (HBR/Oldroyd, 2011, ver Fontes & Estudos).

Ou seja: de nada adianta lembrar do cliente na hora certa se a resposta dele cai no vácuo. Pra tapar os furos do balde, o pós-venda precisa acontecer sozinho, no horário certo, e a resposta precisa sair na hora, mesmo com você de luva.

É exatamente isso que o A.L.I.A. faz no WhatsApp da empresa: manda o obrigado, guarda a data de cada cliente, dispara o lembrete na hora certa no seu tom, e responde na hora quando o cliente volta, mesmo você estando no serviço. É o acompanhamento que você faria se tivesse o tempo, só que roda sem depender de você lembrar de nada.

Se quiser entender o tamanho do dinheiro parado na sua lista de clientes antigos, o guia cliente antigo que sumiu: quanto dinheiro está parado faz a conta inteira. E quando for reativar quem já esfriou, as mensagens prontas pra chamar o cliente de volta já estão escritas. Pra ver quanto vaza por mês na sua operação, o Calculadora do Balde faz a conta em 4 minutos.

Cliente não volta porque lembrou de você. Volta porque você lembrou dele.

Balde metálico iluminado — ilustração da calculadora de receita recuperada

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